e então eu fui pega pela onda heroes.
havia prometido a mim mesma que não me viciaria voluntariamente em outra série americana para evitar a terrível síndrome de abstinência que essa greve dos roteiristas nos está causando, mas não deu certo. após as interrupções abruptas em lost e prison break, me auto-sujeitei a mais um seriado fadado a nunca acabar.
sabe como é, eu sou muito influenciável. foram vários amigos falando sobre o quão maravilhosamente humanos são os personagens que têm poderes e coisa e tal. assim, uma noite sem nada pra fazer bastou: estávamos raquelina e eu à toa na quinta passada e veio a idéia. eu queria o house, seco, sarcástico, rabugento, errado e não-seqüencial. totalmente seguro. mas raquelina indagou: "por que não tentamos heroes?"
que erro, meu deus, que erro.
vamos lentas; apenas acabamos o segundo dvd da primeira temporada, mas já estamos viciadas. é aquela coisa: "ai meu deus, raquel, e agora, o que vai acontecer? ai meu deus! será que ela vai morrer? e onde foi parar o hiro? ai caralho, vamos ver só mais um???"
coincidentemente, soubemos ontem que durante o fim-de-semana havia acontecido uma coisa digna de heroes. a raquel, que mora comigo, havia sonhado de sábado para domingo que seu namorado estava vestido para uma formatura e que ele apanhava muito. preocupada, tentou falar com ele durante todo o domingo. só conseguiu na tarde de ontem.
ele REALMENTE tinha apanhado - e, segundo ele, batido também - numa briga que aconteceu na formatura de um dos amigos dele. tinha até um olho roxo envolvido na história, e alguns dentes alheios quebrados.
assim... qual a chance? ele é um cara totalmente pacífico, contra brigas e afins... raquelina me contou que foi se deitar às 6h da manhã de domingo e que seu namorado apanhou mais ou menos às 7h, ou seja, enquanto ela sonhava, ele provavelmente apanhava com simultaneidade!
foi como quando eu sonhei com um ex-namorado. ano passado, sonhei que estava em gold coast, austrália, na praia, e tive vontade de tomar uma coca. andando uns quarteirões e procurando um fish&chips, cruzei esse ex-namorado de milênios atrás - australiano - e ele me contou que a família dele estava agora morando lá. me convidou para almoçar com eles e aceitei. chegando na casa, a mãe dele, que sempre foi loira, havia escurecido o cabelo, bla bla bla.
esse menino hoje está casado e mora nos estados unidos, porque a esposa dele é americana. achei o sonho estranhíssimo e, como fazia mais de ano que eu não trocava um e-mail com ele, resolvi escrever. eis que ele me responde, assustado, dizendo que eu era uma psychic e pimbas: ele ESTAVA em gold coast naquele momento porque a família dele ESTAVA MORANDO LÁ e a mãe dele TINHA ESCURECIDO O CABELO!
assim... qual a chance?
por essas e outras, raquelina e eu concluímos ontem que todos podemos ser heroes se apenas prestarmos um pouquinho mais de atenção nos sinais que o mundo e que a nossa própria mente mandam pra gente. se formos mais atentos a nós mesmos e aos outros, às expressões e reações, se levarmos tudo isso mais a sério, corremos o interessantíssimo risco de iniciar um processo de comunicação não-verbal - "telepatia", que seja - bem mais controlável e freqüente. já funciona, por tentativa e erro, com quem a gente gosta. por que não tentamos controlar o processo?
em tempo: nós amamos o hiro nakamura!
Battlestar Galactica LED Toaster
5 minutos atrás

