eu sempre sofro desses sonhos muito reais, sabe. daqueles que fazem a gente acordar berrando, chorando, suando e outros verbos de ação não muito agradáveis terminados em "ando". eu sonho sempre, e muito, às vezes 2 ou 3 sonhos por noite. isso sem contar os que eu não lembro.
há duas noites, sonhei que estava numa festa bem-iluminada demais, dadas as atividades excusas que praticavam os festejantes. estávamos todos em trajes sumários e suados, corados, com os cabelos úmidos grudando no corpo. quando digo trajes sumários, não quero dizer "quase-pelados"; quero tentar concretizar a seguinte imagem: homens e mulheres portando roupinhas pequeninas e justas, esburacadas, feito roupa de briga de criança. aqueles shortinhos de malha de cor verde-água e suas respectivas camisetinhas originalmente brancas com silk desbotado, gola esgarçada, com dizeres tipo "i like ice cream". a infernália visual só me permitiu uma conclusão: era uma festa de carnaval.
eu tinha uma amiga alta, morena e magra, a qual não conheço na vida real nem sei o nome fictício, porque em momento algum chamei a dita-cuja pelo nome no sonho. portanto, a chamarei apenas de amiga A. pois bem, estávamos amiga A e eu na porta do banheiro feminino, com sua devida fila interminável dobrando a esquina da construção. a amiga A estava voltada para fora do banheiro, e eu, voltada para dentro. estávamos lado a lado, encostadas, esperando amiga B, desconhecida também, aparecer de sei-lá-onde.
nisso, entra em cena amiga C, que não era amiga coisa nenhuma. invade o banheiro esbarrando em mim essa menina mais baixa que eu, loira e de olhos claros. suas bochechas estão tão coradas que ela parece acabar de sair de 1h30 de spinning, nível avançado. ela veste um shortinho de cor coral e carrega numa das mãos uma garrafa quase-vazia de smirnoff:
"qué quessa porra desssssa mennnina tá facccendo aqui na minha frente? eu não quero ver esssssa porra desssssa mennnina maisssss, esssssa vaca vadia piranha descabelada..."
(referindo-se à amiga A, que estava de costas e ignorava a falácia completamente)
aparentemente, amiga A tinha feito algo de muito sério à inimiga C.
"eu vô é rachá o côco dessssa vaca, essssa vagabunda hahahahahaha, VA-GA-BUNNN-DA, que bonnnito fica quando a chente fffala vagabunda assim... que enche a boca..."
(levantando a garrafa e prestes a rachar, de fato, o côco de amiga A)
explode em mim então um arrombo de solidariedade e heroísmo. assistindo a lenta trajetória da garrafa de smirnoff em direção à cabeça de A, me desloco num sobressalto e invoco meus adormecidos movimentos de karate, agarrando o braço de C e arrancando a smirnoff da mão dela. jogo a garrafa num canto, que explode e enche o banheiro de cacos, provocando gritos das menininhas de chinelos.
escorrendo das minhas mãos, C ri da minha cara, mole, num escárnio do mais irritante. sua carinha redonda e corada e seus cabelinhos loiros despertam a besta. apertando a juliana pelos sovacos (subitamente, no sonho, oráculo decide chamá-la de juliana, trazendo à tona uma lembrança antiga de colega-mais-odiada-de-1992 e deixando claro que nada é por acaso), levanto a menina do chão e a jogo sentada em cima duma cuba de pia, na qual ela cai encaixada, mole ainda, rindo mais que nunca.
de mão fechada, sou obrigada a socá-la na cara. no olho (direito dela, esquerdo para mim), encaixo entre 10 e 15 socos, sempre no mesmo lugar, querendo estourar o supercílio e ver sangue escorrendo na roupa e no chão. eu quero que aquele olho inche, fique roxo; quero que doa muito e que a maldita juliana PARE DE RIR. mas ela não pára. ela continua rindo, rindo como se a dor fosse engraçada, rindo como se eu não tivesse arrebentando a fuça dela.
de repente, sinto como se tivesse socando gelatina. ou melhor, geléia de mocotó. a idiota da juliana ri. minha raiva aumenta em progressão geométrica. aperto os dedos fechados ainda mais, concentrando todo o chi no meu punho nervoso. dali, sai um soco maior que todos os socos do mundo, que vai acertar em cheio o osso do olho direito da juliana, fazendo ela bater com a cabeça nos azulejos sujos do banheiro e hematomizando toda aquela área da cara dela instantaneamente. ela pára de rir e desmaia.
minha mão dói um monte; eu saio dali. as outras meninas presentes no banheiro e arredores fingem que não viram nada. amiga A some de cena, amiga B nunca chega e eu preciso dumas cervejas. esbarrando em todo mundo e querendo acordar, saio dali prum lugar que não sei onde fica.
o despertador toca.
fim.
eu gostei bastante desse sonho... :)
pillow talk
22 minutos atrás
