e eu odeio isso. as pessoas são como são e eu respeito, mas muitas vezes gostaria que não fossem como são. acho foda, sabe. acho foda tentar dar toques, tentar melhorar, tentar ser sutil e falar de maneiras fofas e bem mastigadinhas. eu, que sempre quero as coisas um pouquinho mais equilibradas, que sempre acho que a gente pode ser melhor, pra si e pros outros, eu nunca vejo isso voltando. acho foda porque fico puta quando a ladainha se repete e aí me vai pela boca o coração e eu, longe, nada mais tenho a fazer que não socar essas pobres teclas. que puxa.
é sempre essa porcaria, é sempre alguém que não é como a gente gostaria, é sempre uma ou outra decepçãozinha que, quando se junta às outras todas, as latentes, vira um chororô. eu queria é poder ficar com várias pessoas ao mesmo tempo. queria ser polígama. aí, cada um que eu namorasse supriria uma necessidade minha, um setor da minha vida. ia ser a MINHA vez de ser egoísta. ia namorar um gay bem paciente e com bastante noção estética. ia namorar também um bonzinho e um calhorda. ia namorar um gostoso, um rico, um inteligente, um divertido, um bem bonito que era pra ficar exibindo por aí e um que fosse um bom pai, para futuras eventualidades. ah, e ia namorar um bem bom de cama também, porque esses são difíceis de achar. aí, quando eu precisasse de cada um deles, eu ligava e pronto: assunto resolvido.
mas não. eu sou monogâmica como pede a sociedade e tenho um só. é a velha conversa, aquela que vai se repetir pra sempre, aquela tão discutida e rediscutida em micasa: não concordo, mas aceito. aceito porque gosto de você e porque não é algo que esteja ao meu alcance, não é algo que eu me sinta no direito de criticar. apontar, sim. criticar, não. se me magoa, que fique bem sabido, mas mude se quiser, se achar necessário. porque a gente compra o pacote todo, sabe. senão, mais fácil era, era só comprar a prestações, como eu disse antes. mas levo o pacote porque eu sou convencional e porque vocês são assim, vocês homens. todos uns possessivos do caramba. tudo bem, beleza. mas tentem ser um pacotinho melhor, ok? um fardo que valha a pena carregar e pagar à vista.
é que fico puta. já tive essa conversa tantas vezes antes. digo, são 6 anos namorando sem parar. pessoas diferentes, claro. 2 anos cada um. tudo bem divididinho. mas eu, que costumo ser flexível e paciente, às vezes canso. e, cansando, parece que surto, porque os motivos podem ser, ou parecer, mínimos. desimportantes, até. mas é a lei da bola de neve. enrolou, cresce! e eu tenho essa mania de ser paciente e benevolente e flexível, e sempre espero demais das pessoas. espero que elas sejam um pouquinho mais atentas às outras. que elas tentem agradar de volta. espero que elas às vezes abram mão das coisas que querem fazer pela vontade alheia. porque eu sou legal, eu topo tudo, então mergulho... estou sempre solta na marola. sabe, acho que às vezes as pessoas se aproveitam. às vezes, me sinto tão cansada, porque me bate aquela sensação de que nunca é a coisa que EU quero fazer, o lugar que EU quero ir, o mimo que EU gostaria de ganhar, a palavra que EU gostaria de ouvir.
eu posso parecer desatenta e relapsa com as pessoas. mas eu não sou. eu até que penso bastante nos outros. penso em idéias legais pra fazer junto, em presentes fofos, em surpresas agradáveis. mas ando tão desgastada e achando tudo tão inútil que estou pensando seriamente em vestir a carapuça e deixar de ser legal. se é assim que o mundo quer, beleza, fodam-se os outros.
já me senti bem triste com amigos e tal, com pessoas que eu gostava, mas simplesmente aprendi a não ligar. e, não ligando, acabei me afastando, mas não tem problema, porque as coisas são assim. elas são como são. as pessoas vêm e vão (embora eu não goste da idéia), e a gente aprende a let go. só que têm algumas pessoas que a gente não deveria aprender a let go nunca, porque senão a gente desaprende a criar laços. mas juro, eu já estou beirando esse limite. beirandinho. e eu não queria ser daquelas pessoas que têm mil "amigos", mas não conhece nenhum. eu não quero ser rasa, nem ter relações dessa natureza.
a todos, obrigada pela atenção dispensada (ou não), e desculpem a chatice do desabafo. mas é que estou nos confins de minas e isso não é o tipo de coisa que se grita com família.
Battlestar Galactica LED Toaster
5 minutos atrás
