24.7.07

as coisas são como são

e eu odeio isso. as pessoas são como são e eu respeito, mas muitas vezes gostaria que não fossem como são. acho foda, sabe. acho foda tentar dar toques, tentar melhorar, tentar ser sutil e falar de maneiras fofas e bem mastigadinhas. eu, que sempre quero as coisas um pouquinho mais equilibradas, que sempre acho que a gente pode ser melhor, pra si e pros outros, eu nunca vejo isso voltando. acho foda porque fico puta quando a ladainha se repete e aí me vai pela boca o coração e eu, longe, nada mais tenho a fazer que não socar essas pobres teclas. que puxa.

é sempre essa porcaria, é sempre alguém que não é como a gente gostaria, é sempre uma ou outra decepçãozinha que, quando se junta às outras todas, as latentes, vira um chororô. eu queria é poder ficar com várias pessoas ao mesmo tempo. queria ser polígama. aí, cada um que eu namorasse supriria uma necessidade minha, um setor da minha vida. ia ser a MINHA vez de ser egoísta. ia namorar um gay bem paciente e com bastante noção estética. ia namorar também um bonzinho e um calhorda. ia namorar um gostoso, um rico, um inteligente, um divertido, um bem bonito que era pra ficar exibindo por aí e um que fosse um bom pai, para futuras eventualidades. ah, e ia namorar um bem bom de cama também, porque esses são difíceis de achar. aí, quando eu precisasse de cada um deles, eu ligava e pronto: assunto resolvido.

mas não. eu sou monogâmica como pede a sociedade e tenho um só. é a velha conversa, aquela que vai se repetir pra sempre, aquela tão discutida e rediscutida em micasa: não concordo, mas aceito. aceito porque gosto de você e porque não é algo que esteja ao meu alcance, não é algo que eu me sinta no direito de criticar. apontar, sim. criticar, não. se me magoa, que fique bem sabido, mas mude se quiser, se achar necessário. porque a gente compra o pacote todo, sabe. senão, mais fácil era, era só comprar a prestações, como eu disse antes. mas levo o pacote porque eu sou convencional e porque vocês são assim, vocês homens. todos uns possessivos do caramba. tudo bem, beleza. mas tentem ser um pacotinho melhor, ok? um fardo que valha a pena carregar e pagar à vista.

é que fico puta. já tive essa conversa tantas vezes antes. digo, são 6 anos namorando sem parar. pessoas diferentes, claro. 2 anos cada um. tudo bem divididinho. mas eu, que costumo ser flexível e paciente, às vezes canso. e, cansando, parece que surto, porque os motivos podem ser, ou parecer, mínimos. desimportantes, até. mas é a lei da bola de neve. enrolou, cresce! e eu tenho essa mania de ser paciente e benevolente e flexível, e sempre espero demais das pessoas. espero que elas sejam um pouquinho mais atentas às outras. que elas tentem agradar de volta. espero que elas às vezes abram mão das coisas que querem fazer pela vontade alheia. porque eu sou legal, eu topo tudo, então mergulho... estou sempre solta na marola. sabe, acho que às vezes as pessoas se aproveitam. às vezes, me sinto tão cansada, porque me bate aquela sensação de que nunca é a coisa que EU quero fazer, o lugar que EU quero ir, o mimo que EU gostaria de ganhar, a palavra que EU gostaria de ouvir.

eu posso parecer desatenta e relapsa com as pessoas. mas eu não sou. eu até que penso bastante nos outros. penso em idéias legais pra fazer junto, em presentes fofos, em surpresas agradáveis. mas ando tão desgastada e achando tudo tão inútil que estou pensando seriamente em vestir a carapuça e deixar de ser legal. se é assim que o mundo quer, beleza, fodam-se os outros.

já me senti bem triste com amigos e tal, com pessoas que eu gostava, mas simplesmente aprendi a não ligar. e, não ligando, acabei me afastando, mas não tem problema, porque as coisas são assim. elas são como são. as pessoas vêm e vão (embora eu não goste da idéia), e a gente aprende a let go. só que têm algumas pessoas que a gente não deveria aprender a let go nunca, porque senão a gente desaprende a criar laços. mas juro, eu já estou beirando esse limite. beirandinho. e eu não queria ser daquelas pessoas que têm mil "amigos", mas não conhece nenhum. eu não quero ser rasa, nem ter relações dessa natureza.

a todos, obrigada pela atenção dispensada (ou não), e desculpem a chatice do desabafo. mas é que estou nos confins de minas e isso não é o tipo de coisa que se grita com família.

11.7.07

o pão nosso de cada dia

após um certo ensaio, muita enrolação e um post inicial gigântico, porém de muitíssima utilidade, já está funcionando o pão nosso, blog colaborativo meu e de f., inicialmente. passem lá. e comentem, que a gente gosta.

em tempo: mudo hoje de volta pra são paulo. adeus, céus azuis e pele boa. olá, poluição e pipoquinhas! amo muito tudo isso.

3.7.07

só pra constar

eu sou o tipo de pessoa que acha que (quase) todos os problemas desse nosso país mequetréfico seriam resolvidos se - e somente se - acontecessem 3 coisinhas cruciais e, cá pra nós, básicas nos países mudérrrnos:
  1. legalização do aborto;
  2. discriminalização da maconha;
  3. diminuição dos impostos.

tudo isso porque...

  1. escolha é um direito primordial. falando em números, de cada 3 gestações, só uma delas produz um bebezinho vivo por aqui. clínicas clandestinas e deveras explorativas (financeiramente falando) já cansaram a beleza das nossas pobres mocinhas. e, convenhamos: ninguém merece ainda ter que fazer curetagem no SUS depois de aborto mal-sucedido;
  2. a oferta atende à demanda. se tem nego querendo fumar, tem nego vendendo. e se a maconha é ilegal, tem nego traficando. discriminalizando, a atividade do tráfico se tornaria substancialmente menos necessária e os traficantes, conseqüentemente, menos numerosos. com isso, pouparíamos muito playboyzinho de ter que subir o morro, borrar as calças, perder um dedo ou outros apêndices, e evitaríamos muita invasão de favela por pelotão da PM, que adora apagar uma vidazinha inocente aqui, receber um subornozinho inofensivo acolá... os moradores do morro do alemão e vizinhos equivalentes agradecem;
  3. já deu, né? vocês aí em cima já não estão com os bolsos suficientemente estufados às nossas custas? afinal, comprar vinho estrangeiro porque o brasileiro é tão tributado que simplesmente não vale a pena produzir, pagar mais caro em real num leite aqui no brasil que em euro num leite em portugal (com todas as vaquinhas que temos!), ter que armar tramóias e encenações para driblar a alfândega brasileira e entrar com a câmera digital que a gente comprou na gringa sem pagar o absurdo de 50% de imposto de importação sobre o produto - imposto que, mesmo se fosse pago, ainda seria mais barato que comprar A MESMA câmera aqui no brasil -, tudo isso não é justo. em absoluto.

é, eu ando lendo demais.