27.1.07

cadê eu?

tava indo assistir la educación de las hadas no laptop antes de dormir e acabei aproveitando pra mudar o link do fotolog aqui no blog, já que cansei do antigo e por isso o matei e abri um novo. nessas, por algum motivo estranho e devidamente desconhecido, acabei clicando em um dos links dos posts antigos. comecei a ler... e não me reconheci.

cara, cadê eu? cadê aquelas cores todas, aqueles cheiros, aquelas sensações e sentimentos que me inundavam até me afogar? cadê aqueles punhados de palavras tão bonitas que eu sabia escrever? cadê, cara, que merda, CADÊ???

poizé, acho que a zooropa me esfriou. e, pelo jeito, a doença é altamente contagiosa... :o(

14.1.07

resolução de ano-novo

para este ano de 2007 - que entrou já há alguns dias, sem que eu tenha me dado uma pisca de conta até agora -, a única resolução de reveião feita foi não fazer resolução nenhuma. não que eu, alguma vez, tenha cumprido qualquer resolução de ano-novo. mas enfim, sabe como é... 2007 está tão nebuloso que não vejo palmo em frente. aquela coisa: não sei se caso ou se compro uma bicicleta. ou isso ou aquilo.

o curso está acabando e acho que não poderia ter sido melhor. aprendi demais, pastei o suficiente, rebolei pra danar e agora, confesso que até gosto quando tenho esparsas aulas acidentais em catalão. no outro dia, passava uma novela catalã na televisão e eu só fui me dar conta de que eles hablaban castellano quando percebi que a mariona, catalã aqui de casa, estava prestando atenção demais pra ser verdade. mastigando, entendi 95%. me dá um orgulhinho e um suspiro de missão cumprida.

ontem, no trem para barcelona, quis que a minha vida de agora em diante e até julho tivesse edição videoclíptica e que a trilha fosse hot hot heat. batia pela janela aquele sol de fim de tarde de aqui, obliquoso, amarelando a visão. eu vi as coisas mais claras. eu vi o que eu quero fazer e o que não quero, o que quero guardar e o que vou jogar fora. sinto que eu me acostumei, sabe. me acostumei com estações de metrô a cada esquina, com dias da semana que, deliciosamente, parecem uma sucessão de domingos, com pôres-do-sol no porto e com ir na fleca, comprar uma ensaimada e um cappuccino por 2€ no total, sentar ao lado do vidro da janela e ver as crianças gritarem sem som o fim das aulas do dia. me acostumei a cozinhar minha comida e com as conseqüentes invenções gastronômicas - nem sempre bem-sucedidas, diga-se -, ao café pós-almoço com as alemãs, sempre acompanhado de "it's too strong again, natalia" e de alguma gostosurinha típica sabor gingerbread ou similar, ao mau-humor eterno dos velhinhos catalães e ao melón con jamón.

e aí, eu ligo a televisão ou vejo a página inicial do yahoo brasil ou ainda falo com os meus pais e tudo o que ouço é 50 mil desabrigados pelas chuvas no país, é obras da estação pinheiros do metrô que desabam, é passagem de ônibus que sobe para 2,30, é lula sendo reeleito (eu sei, essa é antiga, mas é relevante o suficiente para ser citada), é verão que só chove e poluição que não dilui e almoço que acidentalmente custa 120 reais e as vontades todas de se enfurnar na fazenda e não voltar mais pra civilização. talvez seja mesmo como disse a minha mãe: "paulistano é tudo masoquista. leva tempo demais pra fazer coisa de menos, gasta os tubos em queijos e vinhos no mercadão quando deveria pagar preço de banana e, ainda assim, acha que fez negócio da china. não pode ter carro porque é impossível estacionar mas não pode pegar ônibus porque ou é assaltado ou morre de calor ou chega atrasado. não é possível. paulistano ou é tudo masoquista ou é tudo burro."

o fato é que não estou nem um pouco a fim de bancar a burra ou a masoquista agorinha. sem um puto no bolso, mas estando onde estou e tendo a saúde que espantosamente ando tendo, estou na vibe "o resto a gente corre atrás". é claro que volto, mais dia menos dia, esse ano ainda, porque tenho que me formar e ver a camile casar de branco, véu e grinalda. mas, sinceramente, a possibilidade de passar o verão em barcelona, com summercases e primavera festivals e a praia e o sol e as pessoas diferentes é deveras tentadora. me mudo, preparo o gogó, arranjo trampo ou vendo o corpinho. sei lá. mas acho que, para o bem-estar de todos e a felicidade geral da nação, digo a eles que fico. repito: ACHO QUE. é esperar alguns detalhes se acertarem, umas pecinhas se encaixarem y ya está. 2a. fase do intercâmbio chega jajá e aí a gente vê qualé que é.

sabe que até já ganhei primeiro presente da casa nova: poster do pulp fiction que vou muito pendurar em cima da cama, "onde colocamos as coisas de que gostamos de verdade". brigada, andré. adorei mesmo. talvez tenha sido um (bom) sinal.

é como diria o jack: "i don't want this feeling to go away."

7.1.07

onde a porca torce o rabo e o diabo se escondi-ê

só voltei porque senti falta daqui, de dizer um olá. ando cada dia mais relapsa, mais desapegada, mais distante, eu sei. embora eu esqueça muitas coisas, queria dizer que ainda não esqueci aquilo que realmente importa. aquelas poucas pessoas, os gestos precisos, as expressões apertáveis, as olhadas de lado e os meio-sorrisos. desses detalhes eu lembro cada manhã, naqueles cinco minutinhos ainda mornos antes de levantar pro dia, embolada no meu edredon ikea 80% penas 20% plumas, todas de ganso, que faz um barulho engraçado de lona de piscina cada vez que eu me mexo debaixo dele e que curiosamente não me dá alergia.

mallorca é linda. imagino que seja absurda no verão, mas eu sinceramente não gostaria visitá-la nessa época: gringos demais, alemães demais, gente demais, argh, coceirinha só de pensar (estou cada vez pior com esse negócio de aversão a multidões). eu não sei o que acontece com esses alemães, mas eles têm esse inconsciente coletivo espírito de porco que é instantaneamente ativado, tão pronto ingerem duas ou três gotas de álcool. os alemães podem sim ser uns amores, mas igualmente conseguem ser os maiores escrotos.

o frio que fez em mallorca foi memorável. venta demais lá. lembrei da bruna. vento gelado na cara, os cabelos de todo mundo bagunçados e embaraçados, os olhos apertados que era pra poder enxergar as coisas. por outro lado, quando fez sol, vi as cores mais lindas. não eram aquelas cores quentes, aqueles azuis e ocres ferventes que se vê quando se vai para morro branco, no ceará, por exemplo. eram cores de contraste parecido, mas frias. mais vivas. como se elas fossem fresquinhas e o sol de repente as esquentasse só um pouquinho, só nas bordinhas. e então, um amarelo ocasional parecia muito mais confortável que um amarelo brasileiro.

imagine um balneário dos mais comuns. assim é o lado chinelo de palma (a capital). quando cheguei, pensei imediatamente naqueles episódios do chaves em acapulco (!). mas, com um pouco de paciência, um carro e uma local, palma pode ser muito mais interessante. tem uma catedral gótica incrível, com direito a gárgulas todos diferentes uns dos outros e aquelas alturas de mais de 30m. tem todas as ruinhas estreitas com portonas de madeira diferentosas que também se vê aqui por barcelona . tem castelo na montanha, de onde dá pra ver a ilha inteira. tem mirador, de onde se enxerga além-mar. e tem mar... ah (suspirinho)!

éramos oito, e a casa em que ficamos é dos pais de uma amiga. por fora, ela tem mais de 100 anos e é feita com aquelas pedras amareladas que a gente sempre imagina em todas as casinhas antigas da espanha. tem pátio frontal, poço, olivos em volta, tudo. é um sobrado. por dentro, um absurdo: inteirinha reformada, toda minimalista, dizáini mesmo. linhas simples nos móveis de madeira, branco nos estofados. a cozinha em aço escovado. branco nas paredes, brancos nas pinturas das paredes e uns tons ocres ocasionais. flipei. na suíte master do casal imperial (a casa tinha 6 quartos), uma cama baixa com muitos travesseiros e um edredon vem-meu-bem, um quadro branco-sujo, redondo, logo atrás, duas poltronas em madeira e branco e uma planta entre elas. e, de fora a fora, inclusive estendendo para a área do banheiro - que não tinha portas e ficava logo ali -, janelas. JANELAS, CARA. que davam para a piscina, para todos os olivos, para a lonjura mais longínqua que se possa imaginar, para a montanha e o mar e para o alto e avante. aquele quarto recebia toda a luz, o dia todo, a luz baixa e amarela do inverno, e ali foi onde eu me senti mais confortável na vida. sabe aquele quarto que você sempre sonha em ter um dia, quando crescer, ficar rico e for, tipos, recém-casado? poizé, eu encontrei o meu.

además, imersão forte na cultura catalã. 7 catalães na casa, uma obviamente mallorquí, e eu. era embutido pra todo lado! umas coisas de comer que eu nunca tinha visto, llonganiza, butifarra, uns bagulhos pretos horrorosos de ver mas deliciosos de comer. mais um ponto em comum entre catalães e brasileiros: nossa comida é feiosa, mas é muito da gostosa. mas teve também os docinhos lindos, as ensaimadas todas, típicas mallorquinas e dos mais variados tamanhos.

saldo final: uns prováveis quilos mais gorda, um jorge luis borges a mais, uma quase-fluência em català de ouvido, um estoque infindável de fotos mentais, um estoque finito de fotos digitais, poker nível básico, 7 amigos novos e um dente a mais no sorriso.

e ah!, sabe o que mais? nada paga descobrir que os catalães jogam truco também. ¡truuuco, gillipollas de mèrda!