havia escrito "pílulas" no "Título:", mas lembrei que, quando era criança, realmente achava que eram "pírulas", e não "pílulas". haha. pírulas cotidianas. meu primo falava "cabilo". "pentia meu cabilo, selminha". não chamava a madrasta de mãe e nem poderia. era muito pequeno para entender que aquela mulher diferente que agora beijava a boca do seu pai seria a mãe dele dali para frente. hoje ele tem duas mães, definitivamente.
fico não-escrevendo e achando que sou um ser visual demais para palavras, e sei que sou, mas não-escrever é o meu não-gritar e o meu não-chorar, e então eu fico doente de verdade porque não choro nem grito mesmo, porque sou assim, quieta, mas não escrevo hoje em dia e isso é escolha. então reescolho escrever. vai ver que ameniza. 9 enfermidades simultâneas relatadas a deus e um pedido de melhora que durou bem uma meia hora antes de dormir, às 2 da manhã. sonhei que ele pedia para eu escrever. aqui estou. eu e um teclado cheio de letras, assunto nenhum para abordar.
gostei que choveu hoje, quem sabe varre embora essa poluição bronco-rinítica. eu não ESTOU doente, eu SOU doente, como bem constatou uma vez minha chefe. fico preocupada quando assusto as pessoas que não estão acostumadas comigo assim, desde que nasci. quem nunca viu alguém dormindo sentado de não conseguir respirar deitado de crise de bronquite entra em pânico e acha que o coitado vai morrer. no fundo, o próprio coitado também acha que vai morrer, mas não morre. crise passa. mas o susto do não-acostumado, não muito. ou então o não-acostumado acha que o coitado tá fazendo firula. FIRULA O MEU CU. eu tento forte não achar que os problemas dos outros são tempestades em copos d'água. é favor tentar forte não achar que minhas doenças são firulas, óquei? porque elas não são.
elas são psicossomáticas, isso sim. não, não vou ao psicólogo, meu muito obrigada. é caro demais e eu não creio, portanto seria ineficaz. minhas desculpas ao renato e ao daniel mas não, não acredito em vocês para me sararem as doenças. só para as amizades. a homeopatia também virou ineficaz quando comecei a achar que aquelas bolinhas todas eram nada mais que açuquinha. alopatia me frita o cérbero, então não. difícil.
eu todos os dias quero ser mais calma e tranqüila, menos perfeccionista, menos preocupada, mais desencanada desses galhos que acontecem com todo mundo. introjetar chatices no subconsciente fede, cara. porque em mim vira doença. é muito foda.
é isso. isso aqui não tem fim, porque é nesse passo que estou. um passo por dia rumo à saúde mental e conseqüentemente física, no meu caso. esse fim-de-semana li que os autistas não lidam bem com palavras, ou seja, não se comunicam bem nessa nossa era da escrita porque são visuais demais, porque sua memória é uma linha-do-tempo organizadíssima de imagens. quase acreditei que eu poderia ser autista. eu dou rewind na minha linha-do-tempo e consigo visualizar detalhes que nem eu acredito. mas eu não sou autista, ou pelo menos ninguém nunca atestou que eu fosse. e me comunico bem por palavras, ainda que escritas. é, eu não sou autista, embora possa parecer que sim, às vezes.
no fundo, só prefiro o silêncio às palavras faladas. os olhos dizem tão mais que a boca.