ando sem dinheiro. ando tomando chuva. gosto muito de tomar chuva se não há vento cortante. gosto do cheiro e do sabor, e da roupa molhada. dos olhos embaçados. ando triste. ando feliz. ando confusa. gostaria de ter mais certezas. e, quando as tivesse, certamente quereria ter mais dúvidas. a constante do ser humano é ser sempre inconstante? ou não há constante em se tratando de humano? quem é humano aqui? que levante a mão. eeeeeu. eu sofro e choro como você. eu sou insegura como você. eu tenho saudades como você. eu gostaria de tantas outras coisas que não estão aqui comigo agora como você. mas eu também amo como você. canto no banheiro como você. danço em frente ao espelho como você. eu tenho medo como você, eu ronco como você, eu rio feio como você. mas também me movo bem como você, sei conseguir o que eu quero como você, embora nem sempre ponha isso em prática. manipular os outros é feio, minha mãe disse uma vez. não é coisa que se faça. não? então por que todo mundo tenta comigo o tempo todo?
esse dezembro eu quero cozinhar. vou aprender aquele risoto di funghi secci definitivamente. com filet mignon ao molho madeira. vou abrir vinhos com o saca-rolhas perneta que o vizinho de cima simpático e viajado me cedeu, gentilmente. "boa festa", ele disse. "não é uma festa", respondi. "pois deveria ser". concordei profundamente. ah!, a vida é uma festá!, como diria xuxa em seus tempos áureos. não é? pois deveria ser.
eu vou a la playa, ô ô-ô ô ô! e vou tomar sol e nadar no mar e jogar frescobol e fazer castelos e enterrar o artur na areia. eu vou tomar picolés e águas de coco. o que me faz lembrar que eu odeio água de coco. mas faz parte. eu vou ler meus livros pendentes, os presentes e os não-presentes, e o espinafre de yukiko novo e lindo e maravilhosamente pornô. eu vou ter um bom natal, um próspero ano-novo e muito dinheiro no bolso. e vou fazer resoluções de ano-novo que nunca serão cumpridas... e outras que serão sim, senhor.
32 horas ININTERRUPTAS em frente ao computador ferraram com os meus neurônios, mas eu estou de volta. às vezes você tem que morrer um pouquinho para aprender a viver propriamente. dêem-me mais pôr-do-sol. dêem-me mais chuvas em dias quentes, à tardinha. dêem-me mais madrugadas quentes. dêem-me mais abraços e amores e fungadas no cangote. dêem-me mais sorrisos, por favor. e mais presentinhos. presentes de 5 centavos da banquinha da esquina. presentes feitos por vocês. dêem-me mais colos e apertões e mordidas. dêem-me sorvetes de pistache (te amo, jana, você ilumina meus dias). dêem-me um pouco mais de vocês, porque cansei de nadar no rasinho.
eu quero o mar inteiro. o céu inteiro. tudo.
Battlestar Galactica LED Toaster
5 minutos atrás
