à noite eu caminhava sob um céu de noite, um céu esverdeado escuro iluminado. as luzes vinham dos postes da rua e eram amarelas. eu piscava muito e caminhava. havia cor demais. uns galpões feito fábricas abandonadas estavam à minha esquerda, portas abertas, escuros por dentro. a rua ia deserta sem ratos nem nada, mas passa por mim uma mulher. alta, magra, tatuada, cabelos pretos e compridos, bonita. nua. vai passando como se eu não estivesse ali. manca muito. me chama a atenção a nudez e, quando me volto para olhar, falta um pedaço das suas costas. os ossos estão expostos e parte dos músculos e há sangue, claro. ela tem a pele esverdeada.
descubro que há mais delas nos galpões e, então, eles não estavam abandonados. no último deles, há um homem de jaleco e máscara tampando boca e nariz, bisturi na mão, cânulas e uma mulher numa maca. tranqüila. elas todas parecem a mesma. ele faz uma espécie de lipoaspiração, despejando a gordura e o sangue num balde ao lado. ela nem se abala. então, ele levanta um pedaço da pele dela e diz "é, essa parte eu vou precisar toda". e arranca fora. tudo. ossos expostos, ok, já deu, não posso com isso.
tento sair dali, mas há mais mulheres tatuadas semi-mortas e sem-pedaços nos cantos escuros onde me escondo, ao longo do galpão todo. elas murmuram um pouco, resmungam, não sei, amontoadas como os corpos dos campos de concentração aqui e ali. algumas se mexem propriamente. também há sacos e sacos transparentes, grandes, cheios de gordura e sangue misturados. há uma espécie de tráfico de gordura humana acontecendo por ali, e meu inconsciente me mete bem no meio da merda toda. maravilha.
bem perto da saída, há um saco maior com um corpo ensangüentado que se mexe. quando passo por ele, são dois os corpos, na verdade. um morto e um semi-vivo. o semi-vivo, a mesma mulher de sempre, esverdeada de morta, se esfrega na meleca de gordura e sangue e lambe o corpo morto. corro. lá fora, noto que, final mas infelizmente, começo a ser notada pelas mortas-vivas, que murmuram mais que o normal e ensaiam passos tortos em minha direção.
quatro e meia da manhã e eu, em sopa. precisei levantar para me dar conta de que não era verdade. não consegui. tornei a deitar e fui incapaz de parar de pensar nas cenas. não tive medo das mulheres, mas da morte toda espalhada. da morte-vida. me veio ao nariz um cheiro pútrido. imaginei, acordada e sem querer, como seria o cheiro daquele lugar, pois meus sonhos não têm cheiros. ao menos esse, graças a deus, não tinha. mas eu o cheirei mesmo assim, e o que é pior, acordada. perdi quase uma hora nisso, acho. não podia mais dormir.
quase morro de sono agora. foi um dia zicado: peguei o ônibus errado, minha bursite dói [piada interna], me senti um lixo provando roupa no horário de almoço, me entupi de pés-de-moleque como consolo. o que só me fez sentir pior. pouco pra fazer no trabalho, o que me irrita. muito pra fazer em casa, o que vai ter de esperar. chego em casa só depois das onze mas queria estar deitada já agora neste momento. afffe.
em compensação, torrentbox é um milagre em minha vida. tenho ouvido muito bloc party, muito bravery, muito dresden dolls e muito lcd soundsystem graças a esse programa divino. tudo o que o kazaa não faz mais por mim, o bittorrent tem feito. é como um amante. supre as necessidades não-atendidas pelo oficial. e, se bobear, SUBSTITUI o oficial. kazaa, amor, acabou. você dançou, meu querido. e não sou eu, é você mesmo. talvez tenham sido essas suas conversas de conteúdo nulo. sempre nulo. não dá.
em tempo: gostaria muito que meu cabelo crescesse mais rápido.
Battlestar Galactica LED Toaster
5 minutos atrás
